segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Como explorar um texto?

MÓDULO: CONTOS DE ASSOMBRAÇÃO
Como explorar um texto?

Cada texto pode ser explorado de várias formas. A exploração de textos diversificados proporciona o desenvolvimento da expressividade, do uso funcional da linguagem e da reflexão do mundo.

Não há segredo ou fórmula mágica. Para alunos em processo inicial de alfabetização o ideal é destacar um ou mais palavras do texto e trabalhar uma determinada letra ou pegar a palavra principal do texto, destacar e explorar suas sílabas. Nessa fase não há muito o que fazer. Mesmo que não consigamos explorar muito a gramática do texto, já praticamos a leitura, levantamos discussões.


Tendo em vista que o principal objetivo numa turma de realfabetização é fazê-los ler e escrever, após a leitura e a interpretação do texto é importante estimular a escrita com propostas sobre o texto. Pode ser a reescrita de algum trecho seja para mudar o tempo verbal, e aí trabalha-se também a concordância verbal, seja para alterar o sentido da frase substituindo uma palavra por outra. Os alunos também podem fazer uma descrição das características do personagem principal da história ou então escrever uma nova história para um determinado personagem. Alterar o final da história também é uma ideia. Quando forem ler e analisar uma imagem é possível descrevê-la no caderno. O importante é fazê-los escreverem.


Acho interessante também ensinar os alunos a identificarem as pessoas do discurso num texto em prosa. Outra sugestão é destacar um trecho e explicar os sinais de pontuação.


Também é possível destacar as palavras de arrepiar, substitui-las por outras de igual sentido ou trabalhar a escrita de novas frases utilizando essas palavras.


Essas são algumas sugestões minhas. Espero ter ajudado.


Textos de assombração:

CONTO
DANÇANDO COM O MORTO

A viúva estava na cozinha com o filho, contando o dinheiro que tinha encontrado debaixo do colchão, quando o marido, falecido fazia meses, apareceu e veio sentar-se à mesa com eles. A mulher e não se intimidou:
- O que é que você está fazendo aqui, seu miserável ?! Me dá paz! Você está morto! Trate de voltar para debaixo da terra.
- Nem pensar- disse o morto. – Estou me sentido vivinho.
A mulher mandou o filho buscar um espelho. Entregou ao morto para que ele visse a sua cara de cadáver.
- É... estou abatido. Deve ser falta de exercício – disse o falecido.
E mandou o filho buscar a sanfona, e convidou a mulher para dançar. Ela, é claro, não quis saber de dançar com o defunto, que cheirava pior que gambá.
O morto nem ligou. Começou a dançar sozinho. De repente a mulher viu que um dedo dele estava caindo, e ordenou:
- Toca mais rápido, menino!
Assim que o ritmo se acelerou, caiu outro pedaço.
- Mais depressa, que eu também vou dançar- ela resolveu.
E começou a requebrar e saltar e jogar a perna para o alto e balançar a saia.
O marido, animado, tratava de acompanhar as piruetas da mulher, e enquanto isso o corpo dele desmoronava. Até que só ficou a caveira pulando no chão, batendo o queixo. A mulher caprichou uma pirueta, a caveira imitou e o queixo desmontou. Pronto.
Mais que depressa, a mulher mandou o filho buscar um baú para guardar os pedaços do marido:
- Põe tudo que é dele, filho. Tudo. Que eu vou procurar uns pregos e um martelo.
Dali a pouco ela voltou e caprichou nas marteladas, para eu o morto nunca mais escapulisse.
Enterraram o defunto de novo. Depois jogaram bastante cimento em cima. 
Só no dia seguinte a viúva lembrou do dinheiro do marido, que ela tinha deixado em cima da mesa.
- Cadê!?!
- Uai, mãe! Não era para guardar no baú tudo que fosse dele?

Angela Lago

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HQ






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CORDÉIS

O Lobisomem no interior da Bahia 

Eu vou contar pra vocês 
Através desta história 
Um causo muito esquisito 
Que não sai mais da memória 

_Conto ou não conto? 
Para entender a história 

Que agora vou contar 
Uma coisa importante 
Vou precisar falar 
Na escola se aprende a ler e a escrever 
Mas tem muitas coisas para se conhecer 
Aos alunos do Infantil e a outros mais de mil 
Uma delas é a poesia escrita em cordel 
Esta literatura faz parte da cultura 
Que enriquece o Brasil. 

Para entender a história 
Prestem muita atenção 
Fechando bem a boquinha 
E cole o bumbum no chão 
O que agora vou contar 
É um “causo” de assombração! 

-Mas não fiquem com medo não!! 

O seu rosto é peludo 
O corpo muito esquisito 
Possui o braço bem forte 
Esse bicho não é bonito 
Não tem medo da morte 
Canseira não lhe consome 
Esse bicho esquisito 
É o tal de lobisomem! 

-Uai! 

Lá em Rio do Antônio 
Perto de Caculé 
Grávida de sete meses, estava uma mulher 
Uma linda moça e com muita boa fé. 
Certa noite o marido falou que ia sair 
Disse para a mulher para ela também ir. 

-Era noite de lua cheia 
Mesmo com tremedeira 
A mulher muito estranhou 
Pegou um xale de lã e nos ombros colocou 
Pensou naquela noite linda de luar 
E com seu marido saiu a passear. 

-Que lua linda meu bem! 
-Mais linda que você não existe ninguém! 

E os dois saíram pela noite afora 
Nem se deram conta do passar da hora 
Chegaram numa encruzilhada 
E o marido caiu fora 

Disse o marido: 
Espere um minutinho 
Com a mão na cabeça 
Foi saindo de fininho 
A mulher sozinha 
Esperando ficou 
E com um medo danado 
Sua barriga abraçou. 

De repente a coitada viu sair da escuridão 
Com uma boca escancarada 
As orelhas bem armadas 
Parecia um cachorrão! 
Os olhos eram de fogo 
Não era lobo nem homem 
Era o tal do lobisomem! 

-Valei-me minha nossa senhora! 

A moça correu e uma árvore avistou 
Bem lá no alto ela subiu e ficou 
Mesmo assim o seu xale o danado abocanhou 
O sol apareceu e um galo se ouviu 
Nesse mesmo instante o bicho fugiu 

A mulher com medo deu um grito de horror 
Naquele momento 
O marido voltou 
Veio muito suado, parecia cansado, 
Pediu-lhe desculpas! 
Se sentindo culpado por tê-la deixado 

- Me adescurpa muié! 
-Vamos para casa marido! 

A mulher muito assustada começou a rezar 
Logo viu que o marido começava a roncar 
O marido roncando e para ele, a mulher olhando 
Quase desmaiou 
A boca toda aberta, os dentes cheios de lã! 
Não! Não podia estar certa! 
Meu Deus aquele homem, o pai de seu filho! 
Era o lobisomem! 

Essa história na cidade 
Começaram logo a contar 
E até em livro didático ela foi parar 
É assim que acontece com a cultura popular 
Pula de boca em boca 
De arraiá em arraiá! 

Dolores Rosa de Oliveira 

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Certa noite a lua cheia
Estava avermelhada
E depois da meia-noite
Nem sino nem badalada
Não se ouvia nem silêncio
Nessa noite tão calada

Isso foi em Maceió
Num lugar bem conhecido
No bairro de Jaraguá
De estilo muito antigo
Foi ali que aconteceu 
Este causo estremecido

Duas almas se encontraram
Eram eles escritores
Poeta Jorge sem medos
Mestre Graça sem temores
Vieram pela saudade
Da cidade e dos amores

Percorreram todo o bairro
Caminhando lado à lado
Nas ruas do Jaraguá
Este lugar tão falado
E pararam no coreto 
Que estava abandonado

Eles ali leram versos
De estilo bem rimado
Como em muitos outros muros
Por onde tinham passado
Leram todos os poemas
Que alguém tinha pintado

Foi então que Mestre Graça
Ficou impressionado
Disse ao Poeta Jorge
Do silêncio calado
Pois antigamente o bairro
Era tão movimentado

Isso foi há muito tempo
Quando aqui tinha voltado
Este bairro portuário
Foi bastante assombrado
Com muitas almas penadas
E o povo assustado

Foi então que o poeta
Diante da situação
Acendeu mais uma estrela
Antes da explicação
E contou porque agora
Não tem mais assombração

Então contou de um doido
Que pelo bairro vivia
Ninguém sabe de onde veio
Seu nome ninguém sabia
Era um maluco alegre
Nem esmola ele pedia

Todos já lhe conheciam
Nunca aperreou ninguém
E tinha um apelido
Que ganhou não sei de quem
Por fazer muito barulho
Lhe chamavam de Blém-blém

Pois Blém-Blém batia ferro
Pela rua o dia inteiro
Batia em postes e placas
Com seu jeito costumeiro
Todos riam sem saber
Do motivo verdadeiro

É que os fantasmas do bairro
Ele podia enxergar
Tinha essa capacidade
Coisa de se admirar
Só que todos esses vultos
Ele queria expulsar

E disse à cada um deles
Pra dali se retirar
É que em seu querido bairro
Alma não ía morar
Porque a bela Maceió
Começou nesse lugar

Os danados aprontavam
Pela madrugada afora
Assustavam toda a gente
Que com medo ía embora
E os malvados só dormiam 
Quando chegava a aurora

O Blém-blém disse que isso 
Não ía mais permitir
E passou a bater ferro
Até o ferro retinir
Incomodando os fantasmas
Que não podiam dormir

Claro que eles não gostaram
Desse louco objetivo
Acordar o tempo todo
Ao som de ferro batido
Já tinha até sonâmbulo
Sonhando que estava vivo

Um por um foi indo embora
Não ficou nada daquilo
Alguns eram tão antigos
Que foram para um asilo
Foi assim que Jaraguá 
Tornou-se um bairro tranqüilo

Neste ponto o Mestre Graça
Só por curiosidade
Quis saber mais dessas almas
Que por infelicidade
Tiveram que abandonar
Este canto da cidade

O poeta começou 
A contar dessas pessoas
Disse que apesar dos sustos
Eram todas almas boas
Que vinham de muitos lados
Do estado de Alagoas

Na Rua Sá e Albuquerque
Tinha um fantasma brigão
Brigava com todo mundo
Dizia ser um barão
Mas foi só um cangaceiro
Do bando de Lampião

Esse veio dos Palmares
Um retinto escravo preto
Gostava de assombrar 
Ali perto do coreto
Fugiu lá para o Farol
Hoje se esconde num beco

Um que era estivador
Há tempos sumiu do porto
De muito puxar açúcar
Tinha um jeito meio torto
De tanto que trabalhou 
Nem viu que já estava morto

E uma quenga assombrada
Que assustava os pecadores
Fossem eles marinheiros
Peões ou estivadores
Essa foi para bem longe 
Da vila dos pescadores

Um fantasminha da orla
Foi embora na maré
Atacava na igreja
Crentes que não tinham fé
E gostava de morder
Esse índio Caeté

Fugiu da Associação
Que chamam Comercial
Um fantasma holandês
Loiro e lindo sem igual
Habitava aquela estátua
Com jeito homossexual

Os fantasmas violeiros
Não zoavam com ninguém
Mesmo assim foram banidos
Por cantar no armazém
Dizem que agora assustam
Lá na estação do trem

Um fantasma que já foi
Catador de sururu
Sempre no Museu Chalita
Tocava o maior rebu
Foi expulso e hoje mora
Lá na praça Sinimbu

Outra alminha morava
Na Usina da Produção
Esse cantador de côco
Não escapou da expulsão
Foi visto recentemente
Lá no Museu Théo Brandão

Outro era um mandingueiro
Jagunço de um coronel
Mais um vaqueiro zarolho
Por causa do escarcéu
Fugiram bem rapidinho
Foram parar no Vergel

Foi então que Mestre Graça
Ao poeta perguntou
Do destino de Blém-blém
Que os fantasmas expulsou
Qual será seu paradeiro
Qual o fim que ele levou?

O poeta respondeu
Ouvindo ao longe o trem
Disse que ele cumpriu
Sua missão muito bem
E por isso foi chamado 
Para um plano mais além

Neste fim de madrugada
Não havia mais ninguém
Ambos olharam pra lua
Depois disseram amém
Jaraguá hoje tem saudades
Dos barulhos de Blém-blém

Tchello d'Barros

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POEMA

Há um momento na vida
de terror definitivo,
de fracasso tremendo,
de sangrar a ferida.
Nada rende,
não há remendo,
nem consolo,
nem saída,
luta perdida,
a lágrima não significa,
o amor cruza os braços,
a saudade diz que vai
e fica.

Ivone Boechat
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ADIVINHAS

Como os canibais chamam os atletas?
R.: Fast-food.

Como o pneu mata uma pessoa?
R.: De pneumonia.

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IMAGEM: ILUSÃO DE ÓTICA

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